terça-feira, 31 de agosto de 2010

Homem Expedição (compilação de partes de poemas de Mário Cesariny, feito pelo meu pai (Lídio Coelho - 1961-1999))

Digo-te, o homem expedição sou eu...
Perdido numa manhã e já ninguém se lembra... Já não há lágrimas à porta.
Um dia passei por um lago, um lago de silêncio onde só eu existia; eu e o teu enorme retrato.
Lembras-te dos meus cabelos? Eram negros não eram?
Lembras-te do meu sorriso? Era triste, não era?
Lembras-te de mim? Lembras?
Eu sei... Eu sei que tu te lembras... E era uma vez um homem apaixonado por uma mulher de vidro, que era uma colher de prata no interior de um quarto.
Aparecia uma planície cheia de vírgulas... era a aflição dos outros... Lembro-me de tudo como se fosse hoje.
Sim, lembro-me de tudo como se fosse hoje: as crianças brincavam no jardim e era domingo. De repente, apareceste tu a meu lado; todos os meus irmãos fugiram; e nós que fizemos? Até onde irá a nossa confiança? Tu, meu múltiplo amor, és um alcaide de água no deserto. Eu sei que me queres encontrar no teu caixote como se fosse um animal morto, mas não me importo... Os teus olhos estão belos como a lua... O teu cabelo continua belo como o sol.
Digo-te, o homem expedição sou eu.

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